14/03/2026
O Ouro (Au) é o metal de cor amarela brilhante denso, de todos conhecido. Ocorre na Natureza, no estado livre (não combinado), como uma das milhares de espécies minerais.
Altamente dúctil e maleável, não oxida e é um excelente condutor de eletricidade. Bastante raro na crosta terrestre, a sua abundância média está estimada em cerca de 0,003 ppm (partes por milhão) da respectiva massa, o que corresponde a 0,0000003%, ou seja, por cada tonelada de rocha da crosta terrestre, existe, em média, cerca de 3 miligramas de ouro.
É usado nas artes decorativas, principalmente em ourivesaria e joalharia, num sem fim de objectos, e na indústria eletrónica, tendo ainda, em algumas geografias, alguma presença, feito época em odontologia. E como investimento em barras e moedas e demais produtos financeiros associados às transações do metal em bolsa.
Sempre foi considerado uma reserva segura, em tempos de crise económica e o seu preço flutua em função das crises políticas mundiais.
Foi um dos primeiros metais trabalhados pela humanidade, usado como padrão monetário (Padrão Ouro) durante séculos e outrora com valor fiduciário com a emissão de moeda intimamente relacionada com o seu valor em ouro (recordemo-nos das notas antigas que diziam “cinquenta escudos ouro”, e com grande importância em diversas culturas, como símbolo de riqueza e poder.
Raramente usado no seu estado refinado puro, conhecido como ouro de 999,9 ‰, este metal, dito nobre ou precioso, conhecido dos antigos sistemas monetários, nas alianças de casamento e em muitas jóias, é na verdade uma liga deste metal onde existe uma porção variável de outros metais, com destaque para o cobre e a prata e, por vezes, paládio, cobalto e zinco.
“Ouro de lei” é uma expressão usada em Portugal para se referir a um conjunto de ligas de ouro cuja pureza é estipulada por lei. Além de ligas de mais baixo teor, a habitual na joalharia é a liga que contém, no mínimo, 750‰ de ouro, que se diz “ouro de 18 quilates”.
Em Portugal, a tradição é a liga com 800‰ de ouro, ou seja, “ouro de19,2 quilates”. Para que fique claro, o quilate usado nas descrições da pureza das ligas de ouro é, na origem, o mesmo que, desde 1907, foi patronizado para o peso das pedras preciosas no então designado Sistema Métrico, com a sigla “ct”, do francês “carat,” equivalente a 200 mg (a unidade em si é mais antiga e remonta ao uso das sementes de alfarrobeira cujo peso era muito próximo do actual valor padrão).
A relação com as ligas de ouro começou quando, no início do século IV d.C., por volta do ano de 312, o imperador Constantino, o Grande (272-337 d.C.) mandou cunhar o solidus, moeda em ouro fino, que pesava 24 sementes de alfarroba, ou seja, 24 quilates (cerca de4.5 g), surgindo aqui a expressão “ouro de 24 quilates” para o ouro puro e todas as outras facilmente estabelecidas em proporção.
O solidus tornou-se a principal moeda de referência no comércio e no sistema monetário romano e bizantino e foi amplamente aceite além das fronteiras do Império: As palavras soldado e soldo (pagamento) derivam do uso do “solidus” como pagamento entre os militares.
Nas ligas de ouro usadas em ourivesaria e joalharia, os outros metais são, geralmente, cobre, para dar cor mais avermelhada e dureza, prata, para ajustar a cor mais para os esverdeados e a maleabilidade, e, por vezes, pequenas quantidades de paládio, no chamado ouro branco, brancura que também pode ser conseguida, submetendo a peça sem paládio (que é caro) a um banho de ródio, outro metal do grupo da platina.
Embora o ouro fosse conhecido e usado pelos nossos avós pré-históricos, foi só no início do século XIX que passou a ser tratado como elemento químico no sentido moderno. Sempre reconhecido como substância única, só passou a ser considerado elemento químico com a consolidação da teoria atómica, em 1803, principalmente com os trabalhos do inglês John Dalton (1766-1844).
Cerca de uma década depois, o químico sueco Jöns Jakob Berzelius (1779-1848), o primeiro cientista a organizar os elementos químicos de forma sistemática, introduziu a maioria dos símbolos químicos. inclusive o ouro, com o símbolo Au (do latim “aurum”, com o mesmo significado).
Cerca de meio século mais tarde, em 1869, o ouro apareceu como elemento nº 79, na Tabela Periódica de Dmitri Mendeleev (1834-1909),
António Galopim de Carvalho