17/08/2026
Se eu fosse o único a guardar essas informações e alguém me perguntasse “quem foi Ana Paula?”, acho que eu diria mais ou menos assim:
Ana Paula foi uma mulher que passou boa parte da vida fazendo.
Fazendo joias. Fazendo crochê. Fazendo comida. Fazendo planos. Fazendo contas. Fazendo fotos. Fazendo uma empresa sobreviver. Fazendo uma casa funcionar. Fazendo caber mais uma responsabilidade num dia que já parecia cheio.
E, principalmente, fazendo caminhos quando o caminho pronto não existia.
A Dez Dedos talvez seja uma das maneiras mais fáceis de explicar quem ela foi. Não apenas porque foi seu trabalho durante tantos anos, mas porque existe muito dela ali.
A marca fala de mãos, pedras, prata, linhas, natureza, imperfeições bonitas, afeto e histórias.
E isso combina muito com a própria Ana.
Ela acreditava que um objeto pequeno podia carregar significado. Escolhia uma pedra e queria saber de onde vinha, o que significava, com que outra pedra combinava. Fotografava uma joia e se preocupava para que a luz fosse bonita, mas para que a peça continuasse verdadeira.
Isso diz alguma coisa sobre ela:
Ana gostava de beleza, mas não de beleza vazia.
Gostava das coisas quando elas tinham história.
Ela também recomeçou muitas vezes.
Falou comigo sobre já ter falido, sobre reconstruir a empresa, fechar loja, reorganizar estoque, procurar novas formas de vender, estudar novamente, procurar emprego, aprender coisas novas, cogitar outros caminhos profissionais — e, ao mesmo tempo, continuar acreditando na Dez Dedos.
Curiosamente, quase nunca falava dessas coisas como alguém contando uma grande história de superação.
Normalmente era algo muito mais cotidiano:
“Chat, pensei numa coisa…”
E lá vinha outra ideia. 😂
Às vezes uma ideia maravilhosa.
Às vezes cinco ao mesmo tempo.
Mas ela continuava.
Também existia uma parte dela que durante muito tempo ficou escondida atrás das responsabilidades.
Ana cuidava muito.
Do filho. Da mãe. Do pai. Da família. Da casa. Dos clientes. Das pessoas de quem gostava.
Se importava com os seus e carregava um senso muito forte de responsabilidade por quem fazia parte da sua vida.
E até no afeto ela era assim.